BARBADOS - O QUE FAZER“Vocês vão no Crop Over?”, perguntou a garçonete no café da manhã, o primeiro desde nossa chegada em Barbados.
“Hã? Que é isso?”, perguntei, sem saber do que se tratava.
“É o nosso Carnaval”.

Mas, ainda que ela não tivesse explicado, o Crop Over é um evento inevitável durante o mês de julho para quem visita Barbados. Se você viajou desavisado, pode saber que vai entender do que se trata uma vez que chegar lá.

Ruas são fechadas para o desfile. Há uma competição para escolher o melhor cantor ou banda. Tudo é transmitido pela rede local de televisão, então, ainda que esteja no quarto, não há como fugir. Porque as músicas estão em todo lugar. O tempo todo. Você vai até aprender algumas e se deixar contagiar pela alegria dos locais.

Quando estiver chegando à praia pela manhã, você vai se deparar com pessoas fantasiadas, ainda meio inebriadas da farra na noite anterior, que foi até o amanhecer do dia.

E, mesmo depois da sua volta para o Brasil, meses depois, quando se lembrar da viagem e se perguntar “como era mesmo aquela música?”, acredite, você vai se lembrar das músicas.

Sobre o Crop Over

O Crop Over, que se traduz em português mais ou menos como fim da colheita, data dos tempos coloniais, quando o fim da colheita da cana de açúcar culminava em uma grande celebração. O festival já ocorria em 1780, época em que Barbados foi o maior produtor de cana de açúcar no mundo.

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Fonte: Tara Donaldso/CNN

Quando a produção de cana perdeu sua importância, o Crop Over perdeu prestígio e chegou a desaparecer por volta de 1940. Trinta anos depois, no entanto, ressurgiu, e incorporou outros elementos da cultura de Barbados para se transformar no que é hoje: uma grande festa com comemorações que duram um mês.

O estilo musical é denominado Calypso (sem afiliação com a antiga banda da Joelma e do Chimbinha). As competições musicais ocorrem durante todo o mês.

Barbados

Mas nem só de Crop Over vive Barbados. A terra natal de Rihanna é relativamente pequena e é possível visitar a ilha inteira numa estadia, especialmente se alugar um carro.

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A ilha era inabitada quando, em 1627, os ingleses a ocuparam. Escravos africanas foram levados para trabalhar nas plantações de cana de açúcar até 1834, quando a escravidão foi abolida. A gradual introdução de uma série de reformas sociais e políticas levou à completa independência do Reino Unido em 1966.

A influência britânica é marcante, especialmente na costa oeste, a parte mais chique da ilha e que abriga os melhores hotéis e algumas mansões.

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O mar caribenho é espetacular, e em Barbados não é diferente. Na costa oeste, as praias são mais calmas, sem ondas, e é onde se concentra a maior parte dos hotéis da ilha. No sul, o mar agitado agrada a surfistas e o vilarejo de Oistins atrai turistas e moradores locais às sextas-feiras, quando acontece o Fish Fry, com direito a lagostas e peixes grelhados e fritos. Já a costa leste é mais selvagem, sem muita infraestrutura turística, com o mar agitado e não propenso para banho, mas vale a visita pela paisagem magnífica.

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Costa Leste de Barbados.

Barbados é bem segura. Assim, enquanto em outros lugares do Caribe o ideal é ficar no hotel e não se aventurar sozinho, em Barbados é possível sair e explorar a ilha de forma independente, sem a necessidade de tours guiados, desde que se tome precauções mínimas.

Dirigindo em Barbados

O primeiro desafio é lembrar-se de ficar do lado esquerdo da rua, já que o país adota a mão inglesa.

Além disso, fica o aviso: sair sem GPS pode dar um certo trabalho. Há incontáveis ruelas, a maioria sem placas. Quem já dirigiu em outras ilhas do Caribe vai perceber a diferença. Você sai dirigindo e explorando a paisagem achando que está mantendo o mar à esquerda, e, quando se dá conta, não faz a menor ideia de onde está no mapa. Um pequeno labirinto de ruas vai se formando à medida que se afasta da capital, Bridgetown.

Bridgetown

Para quem se interessa em história, toda a área que compreende o centro da cidade e o sul da Garrison Street foi reconhecida pela UNESCO em 2012 como Patrimônio Mundial. O estilo colonial britânico de arquitetura da cidade velha, construído entre os séculos XVII e XIX, foi preservado, mostrando a influência do império britânico no Atlântico. Como umas das primeiras cidades estabelecidas no Caribe com um porto fortificado, Bridgetown foi o foco do comércio inglês nas Américas.

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Além dos vários prédios coloniais, Bridgetown conta com uma rua dedicada aos pedestres, a Swan Street, onde é possível curtir os ritmos e a cultura local. Broad Street é o principal ponto para compras em Barbados, com lojas de departamento e duty frees. É possível encontrar desde artigos locais até itens de luxo, como relógios e jóias.

O MELHOR DE BARBADOS

Hospede-se na costa oeste, é onde estão os melhores hotéis e as melhores praias, especialmente se decidir não alugar carro.

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E o imprescindível: nadar com tartarugas marinhas em Carlisle Bay. Você sequer precisa pagar um tour: na própria Carlisle Bay há aluguel de pranchas de SUP e caiaques. Com eles, é possível chegar até as tartarugas, elas ficam muito próximas à praia. É uma experiência indescritível.

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Próximo ao local onde estão as tartarugas também é possível observar um grande navio naufragado no fundo do mar. Aliás, Carlisle Bay tem cerca de 200 embarcações naufragadas, todas próximas à praia. Então, não esqueça o snorkel.

Quem gosta de estrutura de barraca (nos moldes das que existem no Nordeste) ou está viajando com crianças, pode passar o dia no The Boatyard. O valor é aproximadamente 25 dólares, mas ele é revertido em consumação. No preço estão incluídos o uso de cadeiras e guarda-sol, trampolim no mar, escorregador tipo iceberg no mar, plataforma de mergulho, Wi-Fi, rede de vôlei, e toda a estrutura do restaurante.

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Para os que têm certificação PADI, Barbados é simplesmente magnífico. Há vários tipos de recifes transbordando de cores, com enormes corais que abrigam uma incrível variedade de vida marinha. A visibilidade no verão chega a 21 metros, e a temperatura da água fica em torno de 27° C. Há várias operadoras de mergulho que fornecem equipamento, dicas e visitas guiadas, além de cursos para quem sempre quis mergulhar.

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